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Notícia Postada em 14/07/2017
Sexo oral sem camisinha está espalhando supergonorreia, alerta OMS
O hábito de fazer sexo oral sem camisinha está produzindo e disseminando uma forma perigosa de gonorreia, alertou a OMS (Organização Mundial de Saúde). De acordo com a entidade, o tratamento da doença se tornou muito mais complexo, às vezes até impossível, porque a bactéria responsável está desenvolvendo resistência a antibióticos.

A organização adverte que a situação é "muito grave" e que é "apenas uma questão de tempo" antes de os antibióticos mais potentes usados contra a gonorreia se tornem obsoletos. Sexo oral sem preservativo, urbanização e globalização, além da precariedade na detecção da infecção e a infecção mal tratada contribuem para a disseminação da gonorreia.

- A bacteria que causa a gonorreia é particularmente esperta. Toda vez que tentamos uma nova classe de antibióticos para tratar a infecção, a bacteria evolui para resistir ao medicamento - explicou a médica Teodora Wi, especialista da OMS.

A organização coletou dados de 77 países e descobriu uma resistência generalizada a antibióticos velhos e baratos. Mas em alguns países, principalmente os de alta renda, estão sendo detectadas ocorrências de infecção intratável por qualquer antibiótico conhecido, até os de última geração. Até o momento, já foram confirmados três casos de gonorreia impossíveis de se tratar. No Japão, na França e na Espanha.

- Mas estes casos pode ser apenas a ponta do iceberg, porque os sistemas para diagnosticar e relatar infecções incuráveis são precários em países mais pobres, onde a gonorreia é, na verdade, até mais comum - disse a médica.

Esta DST (doença sexualmente transmissível) pode infectar os órgãos genitais, o reto e a garganta. Para a OMS, a infecção na garganta é a mais preocupante. De acordo com Teodora Wi, quando uma pessoa está infectada com gonorreia na garganta e usa antibióticos para tratar uma simples dor de garganta, o encontro do medicamento com a bacteria Neisseria gonorrhoeae (que provoca a doença) pode resultar em uma resistência.

Complicações da gonorreia afetam mais as mulheres do que os homens. Entre essas sequelas estão a doença pélvica inflamatória, gravidez ectópica (quando o embrião se desenvolve fora do útero) e infertilidade, bem como um aumento do risco de infecção por HIV.

Fonte: O Globo
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