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‘É vergonhoso’, diz Vander Loubet sobre possível intervenção dos EUA no Brasil

O deputado federal Vander Loubet (PT) criticou a possibilidade de intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil e disse que o risco “já era esperado”, mas que também “é vergonhoso”.

“Esse risco já era esperado por nós, que sempre nos posicionamos de forma contrária a essa classificação. O problema não é o combate às facções criminosas, algo que já começou a ser fortalecido com a aprovação do PL Antifacção pelo Congresso Nacional, mas sim essa possível interferência dos EUA no território brasileiro, algo que viola nossa soberania e, portanto, não podemos aceitar”, afirmou.

O posicionamento do parlamentar vem após o Ministério das Relações Exteriores declarar, em documento enviado à Câmara, que há risco de ação militar dos Estados Unidos no Brasil para combater facções criminosas.

A carta, assinada pelo chanceler Mauro Vieira, é uma resposta ao deputado Evair de Melo (PP-ES) e trata das medidas do governo Trump após a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. O documento foi protocolado no início de julho e divulgado pelo portal Metrópoles. No texto, o Itamaraty cita mais de uma vez o risco do uso da força militar norte-americana em território brasileiro.

A fronteira de MS exposta à classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA afeta diretamente os estados de fronteira. Em Mato Grosso do Sul, as duas facções dominam rotas de tráfico na divisa de 1,5 mil km com a Bolívia e o Paraguai. Para os EUA, PCC e CV são “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”. A justificativa usada é que a atuação dos grupos ultrapassa as fronteiras brasileiras.

Com a nova classificação, os norte-americanos ganham respaldo para atuar nas frentes financeira, jurídica e militar. Uma delas é a chamada “asfixia financeira”: qualquer banco que use o sistema financeiro dos EUA fica proibido de movimentar dinheiro de pessoas ligadas às facções.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, só em 2022, as facções brasileiras movimentaram cerca de R$ 146 bilhões.

Outro ponto do documento é a entrada da CIA no combate aos grupos. Antes, a atuação do FBI focava em crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Agora, com o enquadramento como terrorismo, o tema passa a ser tratado como questão de segurança nacional pelos EUA. Isso permite operações de espionagem sigilosas, interceptações cibernéticas por satélite e infiltrações sem necessidade de processo judicial público.

A preocupação do governo brasileiro é que o modelo repita o que ocorreu na Venezuela. Os EUA já usaram a justificativa de terrorismo para bombardear embarcações no Caribe.

Em MS, a região mais exposta é a de Ponta Porã, na divisa com Pedro Juan Caballero, no Paraguai. O país vizinho já autorizou a presença de militares e agentes de inteligência dos EUA em seu território e também classificou PCC e CV como terroristas. Com isso, a tendência é de aumento da cooperação e do uso de tecnologia de vigilância na faixa de fronteira.

EUA dispõem de satélites militares e drones de alta vigilância voltados para contraterrorismo. Pistas de pouso clandestinas, usadas para desembarque de drogas em solo sul-mato-grossense, também devem passar por varredura pelas Forças Armadas americanas.

‘É vergonhoso’, diz Vander Loubet

Para o deputado petista, a situação é grave por envolver um senador da República e pré-candidato à Presidência fazendo lobby pela medida.

“É lamentável que tenhamos um senador da República e pré-candidato a presidente envolvido neste caso, fazendo lobby pela violação da soberania do Brasil. É vergonhoso. Não há nada de patriótico nisso, muito pelo contrário, demonstra submissão e covardia”, disse Loubet. “Até porque já havia uma cooperação entre as autoridades de segurança do Brasil e dos Estados Unidos para o combate a uma série de atividades criminosas”, completou.

*Midiamax