Geral

“Recebeu propina”, rebate promotora sobre servidor condenado por corrupção em Sidrolândia

A promotora de Justiça, Bianka M. A. Mendes, apresentou contrarrazões para rebater recurso do ex-servidor municipal de Sidrolândia, César Augusto dos Santos Bertoldo, condenado a 5 anos e a devolver R$ 26,7 mil aos cofres públicos por envolvimento no esquema de corrupção chefiado por Claudinho Serra, no município do interior.

O grupo de réus acusados na primeira fase da Operação Tromper, de 2023, foi condenado a penas que somam 111 anos de prisão, além de terem que ressarcir os cofres públicos em cifras que ultrapassam os R$ 349 mil.

O servidor apresentou recurso ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) alegando que ‘provas mostram o contrário’.

Conforme o documento, Bertoldo pede sua absolvição, alegando que as provas apresentadas pelo MPMS (Ministério Público de MS) não são suficientes para condená-lo. “Nenhuma condenação pode se fundar exclusivamente em delação premiada”, diz o advogado do réu.

No entanto, a promotora reforçou que há movimentações bancárias comprovando que o ex-servidor, fiscal de contratos das empresas implicadas, teria recebido valores do empresário Ricardo Rocamora, um os principais operadores do esquema. “As transações ocorreram assim foram realizadas: R$ 670,00 em 01/10/2019; R$ 220,00 em 27/01/2020; R$ 3.100,00 em 06/12/2021;
R$ 2.000,00 em 27/08/2021; e R$ 1.500,00 em 29/10/2021, sendo estas últimas direcionadas à empresa Lopes e Bertoldo Centro de Reabilitação em Fisioterapia, vinculada ao apelante e à sua esposa”.

Assim, o MP pede que o recurso de Cesar seja rejeitado. Agora, o caso seguirá para decisão judicial.

Penas somam 111 anos de prisão

Dois anos após o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) tomar as ruas de Sidrolândia na operação que ficou conhecida como Tromper, o juiz da Vara Criminal de Sidrolândia, Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva, condenou os seis primeiros réus do caso, em esquema chefiado por Claudinho Serra, que desviou milhões dos cofres municipais da cidade localizada a 70 km de Campo Grande.

Assim, cinco empresários e dois servidores municipais somam penas de 111 anos e 11 meses de prisão por crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e também fraude em licitações.

Investigadores que conduziram a investida policial, do Gaeco e do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do MPMS, disseram que o grupo criminoso agia desde 2017, com aberturas de empresas de fachada.

Na trama, o bando manipulava licitações, criava empresas sem estrutura ou capacidade técnica para executar os contratos, com objetivos definidos: sumir com recursos públicos.

Conforme a sentença, o empresário Ueverton da Silva Macedo, o Frescura, foi o réu punido com maior condenação. Ele terá de cumprir 37 anos, 10 meses e 8 dias de prisão. Na sequência, o também empresário Ricardo José Rocamora Alves, sentenciado a 28 anos, três meses e 20 dias de prisão.

  • César Augusto dos Santos Bertoldo, servidor público, a 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão;
  • Roberto da Conceição Valençuela, outro empresário, foi condenado a 11 anos e 6 meses de prisão;
  • O empresário Odinei Romero de Oliveira foi sentenciado a 4 anos, 9 meses e 18 dias de prisão;
  • Everton Luiz de Souza Luscero, também empresário, a 15 anos e 9 meses de prisão;
  • O servidor público Flávio Trajano Aquino dos Santos, a 8 anos e 4 meses de prisão.

No ano passado, as investigações chegaram ao apontado como chefe do bando, o ex-secretário municipal de Finanças de Sidrolândia, Claudinho Serra. Ele chegou a ficar preso por 23 dias, mas foi solto com uso de tornozeleira.

No entanto, em junho de 2025, a Tromper chegou a sua 4ª fase. Com a prisão de Claudinho Serra, também foram encarcerados Carmo Name Júnior, ex-assessor de Claudinho; e Cleiton Nonato Correia, empreiteiro, dono da GC Obras.

*Midiamax