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“A saúde mental dos policiais”, por Coronel Alírio Villasanti

Dados de 2024 do Mapa da Segurança Pública apontam que, no Brasil, 148 policiais cometeram suicídio, um aumento de quase 10% em relação a 2023, quando foram registradas 135 vítimas. Em apenas dois anos, somam-se quase 300 casos. Desse total, 92% eram homens, sendo 70% policiais militares e 12% policiais civis.

Indiscutivelmente, a saúde mental dos policiais brasileiros deve ocupar o centro das políticas de segurança pública, uma vez que os suicídios são evitáveis e quase sempre precedidos por fatores condicionantes que podem ser identificados e tratados.

De acordo com estudos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, algumas situações agravam os problemas de saúde mental desses profissionais, como:

•O assédio moral
•A internalização do papel de “policial herói”
•O desgaste físico e emocional pelo contato contínuo com situações de perigo; •a cobrança institucional por metas
•O endividamento
•E a insegurança jurídica.

O adoecimento mental dos policiais reflete também uma sociedade em sofrimento. Esse processo começa já no ingresso nas corporações, quando os novos agentes são submetidos a regras e imposições que os afetam de diferentes maneiras. Ao mesmo tempo em que se sentem honrados por exercerem uma autoridade legitimada pelo Estado, enfrentam a pressão de carregar sozinhos a responsabilidade pelos índices criminais, uma visão equivocada que desconsidera fatores sociais mais amplos e, muitas vezes, isenta o próprio Estado de sua parcela de responsabilidade.

Entre as medidas necessárias, destaca-se a importância de criar espaços de conscientização sobre saúde mental e investir em recursos de capacitação para que policiais e seus familiares possam identificar sinais de sofrimento psíquico ou de ideação suicida. São iniciativas relativamente simples e de fácil implementação, mas que podem salvar vidas.

Um exemplo positivo vem da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, com a Carreta da Saúde, projeto voltado exclusivamente para servidores da área, que oferece atendimentos variados e garante cuidado e acolhimento.

É fundamental compreender que a possibilidade de adoecer mentalmente existe para todos, embora muitas vezes seja negada ou minimizada. Estudos comprovam que a maioria das pessoas com ideação suicida pode ser salva, desde que receba ajuda profissional no momento certo. Por isso, perceber mudanças significativas no comportamento de alguém próximo e agir rapidamente é essencial.

Finalizo enfatizando que o trabalho deve ser fonte de prazer, crescimento e realização, e não de sofrimento.

*Coronel Alírio Villasanti