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No júri, João diz ter matado Vanessa e a filha por ficar com raiva ao levar tapa na cara

João Augusto Borges de Almeida, réu pela morte de Vanessa Eugênio Medeiros e da filha, Sophie Eugênio Borges, de 10 meses, alegou em plenário que não se recorda do crime. Em maio de 2025, as duas foram mortas estranguladas na casa onde moravam com o réu, no bairro São Conrado, em Campo Grande. Depois, foram colocadas em um carro e levadas até um terreno baldio no Indubrasil, onde tiveram os corpos carbonizados.

Nesta quarta-feira (27), João Augusto é julgado na 2ª Vara do Tribunal do Júri. Durante seu interrogatório, ele alegou ter sido induzido na delegacia a falar que cometeu o crime porque não queria separar e pagar pensão. “Eu fui induzido a falar isso. Conforme tantas perguntas sobre o mesmo assunto, acabei confirmando”, alegou.

Questionado pelo juiz de Direito Aluízio Pereira dos Santos sobre ter colocado Vanessa e Sophie no porta-malas do veículo e levado os corpos para o Indubrasil, o réu disse que não se recorda de nada.

“Não lembro, só acordei no outro dia na frente de casa com o carro ligado e a mão no volante […] Eu não lembro […] não lembro”, falou João Augusto.

Ainda, o réu alegou que o tapa que levou de Vanessa teria o deixado fora de si. “Fora de controle, totalmente fora de controle e sem consciência. Não foi exatamente por causa de uma mulher; poderia ter sido até minha irmã. Mas eu nunca levei um tapa na cara, então isso aí me deu um excesso de raiva”, afirmou o pai de Sophie.

O réu ainda foi questionado pela defesa se ele se lembra de como Vanessa e Sophie foram mortas. João negou e, logo, falou novamente sobre a motivação. “O excesso de raiva e o descontrole.”

Antes do interrogatório do réu, a irmã de Vanessa e madrinha de Sophie, Wesla Kenia Lima, e um colega do réu foram as testemunhas ouvidas em plenário. Wesla falou sobre a dor que sente após a perda das vítimas.

Relembre o crime

João Augusto foi preso no dia 27 de maio do ano passado, quando registrava boletim de ocorrência na 6ª DP (Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande), alegando desaparecimento de Vanessa e Sophie. Assim, a DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) foi acionada e passou a investigar o caso.

Em coletiva de imprensa na época, o delegado Rodolfo Daltro deu detalhes do interrogatório de João, que se demonstrou frio durante todo o tempo. Segundo ele, o homem matou a companheira e depois assassinou a bebê esganada.

“Total frieza! Ele relata que aplicou um mata-leão na esposa, com um pretexto de conversar sobre o relacionamento. Ele chamou ela até o quarto e ela deixou a criança na cama com uns brinquedos. Depois, ele a chamou para conversar sobre o casamento, ele deu um mata-leão, imobilizou pelos pés também; em seguida, direcionou a criança e a esganou”, explicou.

Após matar a companheira e a filha, por volta das 16 horas, durante o intervalo de almoço do suspeito, ele trabalhou normalmente no dia 26 de maio, pois, conforme disse em interrogatório, acreditava que o crime seria descoberto somente após cerca de dois dias.

Logo que saiu do trabalho, às 19 horas, o homem passou em um posto de combustíveis, onde comprou R$ 16 de gasolina. Ao chegar em casa, enrolou Vanessa e a pequena Sophie em cobertores, colocou as duas no porta-malas de um carro modelo Gol, de cor preta, e foi até a região do Indubrasil. Lá, o suspeito ateou fogo na companheira e na filha.

Imagens de câmeras de segurança da região registraram o momento em que João Augusto colocou fogo no corpo da filha e da esposa, na noite de 26 de maio.

*Midiamax