Jovem de 18 anos admite ter matado padre e detalha sequência do crime
A Polícia Civil revelou novos detalhes sobre a morte do padre Alexsandro da Silva Lima, de 44 anos, ocorrida em Dourados. Preso no sábado (15), Leanderson de Oliveira Júnior, de 18 anos, afirmou em interrogatório ao SIG que foi o autor do assassinato e que decidiu roubar o carro da vítima logo após o crime. Ele disse que pretendia atravessar a fronteira e vender o Jeep Renegade no Paraguai.
Segundo o relato prestado à polícia, Leanderson conheceu o padre por meio de um ex-cunhado e disse que o religioso costumava abordar jovens. De acordo com ele, Alexsandro se apresentava apenas como “Alex” e buscava contato com estudantes próximos a escolas da região.
No depoimento, o investigado disse ter visitado o padre na quarta-feira (12) e retornado na sexta (14) já com o objetivo de tomar o carro e valores que estivessem na casa. Ele afirma que recebeu oferta de suposto ato sexual que ocorreu quando ficou sozinho com a vítima no imóvel localizado no Jardim Vival dos Ipês.
Ainda conforme o inquérito, o jovem relatou que encontrou uma marreta dentro da residência e deu início ao ataque com o objeto. Disse que o padre tentou reagir, mas, em seguida, ele utilizou uma faca para finalizar a agressão. Depois do homicídio, tomou banho no local, saiu para encontrar a namorada e buscou um amigo de 17 anos. Ele disse que chamou o adolescente quando o padre já estava morto.
Os dois, acompanhados da jovem, foram para a casa de outro rapaz, de 18 anos. Ao chegar lá, Leanderson contou o que havia acontecido e o levou até a casa da vítima, onde mostrou o corpo.
De acordo com as investigações, duas adolescentes, de 16 e 17 anos, ajudaram na limpeza de portas e objetos enquanto o último amigo recolhia itens da residência — entre eles talheres, eletrodomésticos, panelas, bebidas e até um ventilador. O padre, mesmo atuando como pároco em Douradina, mantinha a casa em Dourados, onde ocorreu o crime.
Após recolher diversos objetos, o grupo enrolou o corpo da vítima em um tapete, colocou no porta-malas do Jeep e partiu com todos sentados no banco da frente. Eles abandonaram o corpo na região da Rua José Feliciano de Paiva. Por volta das 10h de sábado, foram ao mercado, instante em que acabaram localizados pela polícia.
O desaparecimento do padre foi percebido quando familiares tentaram contato e receberam a informação de que o celular do padre havia sido encontrado em um terreno baldio. O filho da mulher que localizou o aparelho contou ter visto um Jeep Renegade rondando a área atrás do celular. A equipe do SIG se deslocou ao local e encontrou o veículo ocupado por Leanderson, o amigo e as duas adolescentes.
Enquanto uma equipe realizava a abordagem, outra periciava a casa, onde encontrou manchas de sangue e sinais de violência. Pressionado, Leanderson indicou onde havia deixado o corpo e citou o envolvimento do amigo adolescente. O jovem de 17 anos admitiu que esteve na casa, disse que limpou o rosto da vítima, mas negou participação na morte e afirmou que recusou ajudar na ocultação do cadáver.
Diante dos elementos coletados, a Polícia Civil autuou Leanderson em flagrante por latrocínio, ocultação de cadáver e fraude processual. O rapaz identificado como João, de 18 anos, foi preso por furto, ocultação de cadáver e fraude. O adolescente foi apreendido por ato infracional equiparado a latrocínio, e as duas meninas responderão por atos infracionais equivalentes a furto, ocultação de cadáver e fraude.
A autoridade policial já pediu à Justiça a conversão das prisões em preventivas e a manutenção das medidas socioeducativas aplicadas aos menores envolvidos.
*Dourados Agora
