Mato Grosso do Sul

Santa Casa troca diretores e presidente após prisões por fraude milionária

O hospital Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande já está sob comando do presidente interino Heitor Scheibeler. Ele assumiu a chefia do maior centro médico de Mato Grosso do Sul após a prisão, na sexta-feira (11), da presidente Alir Terra e de dois diretores.

Até então vice-presidente, Scheibeler vai administrar a Santa Casa enquanto Alir estiver presa ou afastada. Nas demais diretorias, foram convocados funcionários do setor correspondente.

No lugar do diretor administrativo Alessandro Junqueira, foi nomeado, de forma interina, Lucas Jeferson Santos da Silva. Para o lugar do diretor de finanças adjunto Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, foi indicada Terezinha Mafort de Castro Lopes.

Alir, Alessandro, Paulo e outras três pessoas passaram por audiência de custódia no sábado (12) e seguem presos. Agora, as defesas podem recorrer e pedir a liberdade deles.

Operação mira esquema de fraude em contratos da Santa Casa de Campo Grande

Em 11 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — por meio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) — realizou a Operação Antidotum, contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.

Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Os alvos foram:

  • Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande;
  • Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de finanças do hospital;
  • Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor financeiro do hospital;
  • Alessandro Dias Junqueira, ex-diretor administrativo do hospital;
  • Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística do hospital;
  • Maurício Aparecido Benites, empresário.

As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.

O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.

O Gecoc constatou, ainda, irregularidades em contratos celebrados pela operadora de plano de saúde Santa Casa Saúde com diversas empresas do mesmo grupo. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, estava desocupado.

Somente em 2025, a Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões para essas empresas e gerou um prejuízo de, no mínimo, segundo apurado até o momento, R$ 3,5 milhões.

Além disso, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a CGE-MS (Controladoria-Geral do Estado de MS).

O total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande ainda está sob investigação.

A ação contou com apoio operacional do BPChq/PMMS (Batalhão de Choque da Polícia Militar de MS) e a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de MS).

Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como “antídoto” e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.

*Midiamax