Chefe da regulação preso por corrupção ganhava R$ 44 mil e pediu promoção por ‘merecimento’
Preso acusado de corrupção ativa e passiva, o chefe da regulação do Core (Central Estadual de Regulação), Ed Carlo Britto Burgatt, é auditor de saúde concursado do governo do Estado e tem salário-base de R$ 32.428,98, que chega a R$ 44.149,24 com adicionais, conforme dados do Portal da Transparência.
Enquanto o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) investigava Ed Carlo por fazer da regulação do Estado o que chamaram de ‘balcão de negócios’, o servidor de carreira movia processo na Justiça exigindo uma promoção funcional por ‘merecimento’, entre outros motivos.
Ed Carlo é um dos 16 presos da Operação Gutenberg, que revelou desvios de R$ 27 milhões feitos por um grupo criminoso que se utilizava da estrutura de regulação do Estado para usar a liberação de exames e internações como moeda de troca para gestores públicos comprarem livros de empresários do grupo.
No processo, Ed Carlo cita que a promoção deve seguir critérios como merecimento, a conclusão de três ciclos anuais de desempenho individual e ao menos 70% na média das três últimas avaliações. “Todos os requisitos para a concessão da promoção funcional por merecimento se fazem presentes”, afirmou nos autos.
Ainda, pediu que a Justiça condenasse o Estado a pagar um retroativo de R$ 31,2 mil, corrigido pela inflação, pelo tempo que deixou de promovê-lo da letra ‘C’ para a ‘B’, o que iria acarretar um aumento de cerca de R$ 1,2 mil em seu salário.
O processo segue tramitando e caminha para uma sentença, após as partes decidirem não haver mais provas a serem anexadas.
Filha dona de plano de saúde fazia parte de esquema
A filha de Ed Carlo, a empresária Jéssyca Duarte Burgatt, também está entre os presos da operação. Ela é sócia da Capital Saúde (CNPJ 44.498.668/0001-86), um plano de saúde de Campo Grande, com sede na Rua 13 de Maio.
Nesta quarta-feira, todos os presos passarão por audiência de custódia, em que o juiz irá avaliar somente a legalidade da execução e a integridade física dos detidos. Após a sessão, os presos serão encaminhados para os respectivos presídios.
Confira os alvos confirmados até o momento:
- Rossana Paroschi Jafar, empresária;
- Olívia Jafar, médica e filha de Rossana;
- Felipe Paroschi Jafar, comissionado na Agesul e filho de Rossana;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar;
- Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS;
- Jéssyca Burgatt, empresária e filha de Ed Carlo;
- Francisco Anizio dos Santos;
- Matheus Oliveira Peixoto;
- Joatan Gomes Peixoto;
- Paulo Rogério de Melo, empresário;
- Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo;
- Gabriel Taquino de Paula.
O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Ex-prefeito, empresários e servidores
Consta como alvo da operação o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Júnior Vasconcelos, que também é escrivão da Polícia Civil.
O chefe da regulação Ed Carlo Brito Burgatt também foi preso com a filha dele, Jéssyka Duarte Burgatt, que é dona de um plano de saúde em Campo Grande.
Outro núcleo familiar envolvido é formado pela dentista e dona da Clínica Ross, Rossana Paroschi Jafar, e seus filhos, a médica Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar, que é comissionado na Agesul.
Também foram presos os empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, que são pai e filho. Eles são donos de negócios de veículos e casas noturnas em Campo Grande.
Também há participação de advogados, como Gabriel Taquino de Paula e outro que ainda não foi identificado.
Em relação aos servidores que fazem parte dos quadros do Estado, o governo emitiu nota afirmando que serão afastados ou exonerados, no caso de comissionados. Além disso, foi aberta auditoria para apurar os procedimentos que teriam sido fraudados na saúde.
*Midiamax
