Destaque

Prefeito de Tacuru chama áudios sobre envenenar água de indígenas de ‘mal-entendido’

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), publicou um vídeo nas redes sociais na tarde de segunda-feira (26), dizendo ter sido um “mal-entendido” os áudios compartilhados de servidores da prefeitura dizendo que a água dos indígenas deveria ser “envenenada”, depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nas redes sociais, Torquetti aparece usando um boné com o número 22, de Flávio Bolsonaro. No story, ele está ao lado de Zuleine, na Aldeia Sassoró, tomando um tereré. “Estou aqui com a minha amiga tomando um tereré e não tem veneno na água”, disse.

Entretanto, ele não deixa claro se deve exonerar os envolvidos. Ele não atendeu as ligações do Jornal Midiamax para esclarecer os fatos. O espaço segue aberto para posicionamento.

Em um dos áudios, um homem reclama dos indígenas e utiliza expressões pejorativas para se referir à comunidade. “Você vê como é esse nosso Tacuru velho. Pode morrer de ajudar esses capetas aí dentro do que tiver. O homem se mata de ajudar um, ajudar outro, e esses cãos fazem isso aí. A própria população, o próprio município, é um demônio”, diz.

Em outro trecho, um dos homens chama os indígenas de “praga do car**” e afirma que a água deveria ser envenenada. “Já falei que tem que colocar veneno na água”, declara.

A autenticidade dos áudios e as circunstâncias em que as declarações foram feitas deverão ser apuradas pelas autoridades. Segundo Ivan Montiel, as gravações foram recebidas de terceiros, e os envolvidos seriam servidores da Prefeitura de Tacuru.

As denúncias surgem após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Tacuru foi o primeiro município de Mato Grosso do Sul a concluir a apuração, com 100% das 22 seções totalizadas às 18h40.

O município registrou 5.234 votos, o equivalente a 74,74% de comparecimento entre os 7.003 eleitores aptos a votar.

Em Tacuru, na disputa pela Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o candidato mais votado, com 62,19% dos votos válidos, ou 3.189 votos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 37,81%, o equivalente a 1.939 votos.

Apib aciona órgãos federais

A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) informou que, por meio de sua assessoria jurídica, acionou órgãos federais diante de denúncias de violência contra povos indígenas após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Além das ameaças de morte, manifestações racistas e relatos de ameaças de envenenamento da água de comunidades indígenas em Tacuru e Nioaque, a entidade menciona assassinatos em Naviraí e atropelamentos em Coronel Sapucaia.

O encaminhamento busca mobilizar as autoridades competentes para apurar as denúncias e adotar as providências cabíveis.

Prefeitura diz que soube do caso pela imprensa

O Jornal Midiamax entrou em contato com o prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), mas ele não atendeu as ligações. O espaço permanece aberto para manifestação.

O Jornal Midiamax também procurou o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. Em nota, foi dito:

“O Ministério dos Povos Indígenas informa que tomou conhecimento das denúncias de violência e ameaças contra os indígenas Guarani e Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, e acionou a Polícia Federal para que os fatos sejam investigados de forma célere e exemplar. A pasta está em diálogo com as comunidades indígenas, por meio do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (Demed), e segue atuando para que os direitos dos indígenas sejam garantidos e assegurados.”

*Midiamax